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15/05/2025

A polêmica dos últimos tempos: a ascensão renovada do Body Shamming



Em idos tempos, eu recebi alguns apelidos no meu ambiente de trabalho. Iniciou-se com um apelido que retornou a minha vida recentemente: gorda maldita. Oras, gorda sou mesmo, mas o adjetivo maldita tem de ser explicado.

Como esse apelido está sendo por pessoas piedosas, caridosas e que vivem (de favor e de forma oportunista) em ambiente religioso, acabei questionando. Inclusive porque hoje eu só sofro preconceito em ambientes fora do meu trabalho (hoje, trabalho em um ambiente saudável e com muito respeito). Só que minha atenção foi chamada por reclamar do apelido. Como assim eu estava achando ruim? Então, me calei.

Pesquisando pela Internet e, principalmente, reclamando das situações (inclusive de barreiras arquitetônicas), fui informada de que o movimento Body Positivity havia sido sufocado por médicos e por outro movimento, o Body Shaming.

Fiquei pesquisando em silêncio, até que postei uma foto minha e ofendi umas pessoas com a imagem. Percebi que tinha algo de diferente pairando.

Fiz uma breve análise por lugares onde andei: há espaços onde corpos gordos não são tolerados (ainda bem que estou proibida de entrar, mas há uma casa de cursos, que os banheiros são adequado somente para pessoas magras - estou proibida de entrar pela pessoa que me deu o apelido gorda maldita por último), marcas chamadas plus size estão deixando de existir, outras marcas que tinham produtos que gordos podiam usar, deixaram de fabricar os produtos. Então, a tolerância diminuiu.

Mas, o que é Body Shaming? Para de ficar balbuciando e reclamando, Rosa Maria.

O termo refere-se à prática de criticar, ridicularizar ou envergonhar pessoas por suas características físicas. Essa postura crítica pode se manifestar de várias maneiras: desde comentários depreciativos e apelidos ofensivos, até pressões diretas e discursos de ódio que se espalham nas redes sociais. Em um ambiente onde as palavras são amplificadas e as atitudes se cristalizam, as consequências para a saúde emocional e mental podem ser devastadoras, aprofundando sentimentos de inadequação e insegurança.

Em contraposição, surge o movimento Body Positivity, com a proposta de celebrar a diversidade corporal, incentivando o amor próprio e a aceitação de todas as formas e tamanhos, combatendo os padrões estéticos hegemônicos e oferecendo um espaço onde cada pessoa pudesse se reconhecer e se valorizar. 

Contudo, com o passar do tempo, críticas, inclusive de alguns setores da comunidade médica, e a comercialização dessa mensagem contribuíram para a diluição de sua essência original. Hoje, muitos veem que o discurso positivo foi abafado por narrativas que, em essência, reforçam críticas e exclusões, transformando o que deveria ser um movimento libertador em um campo de disputa e apagamento das vozes que clamavam por respeito.

Diante de tudo, eu, como mulher, gorda e com deficiência adquirida, vejo que não me encaixo em lugar nenhum. Tenho de me calar e aceitar apelidos e críticas.

Fala-se tanto dos tais impactos emocionais do tal Body Shaming, porém concluo que é um grupo até benéfico. Recebi a lista de efeitos positivos deste movimento na vida das pessoas e um vídeo de uma influenciadora dizendo que ela "não odeio gordos, mas corpos gordos, corpos desleixados" etc. Ressalto que o Body Shamming é uma prática de crítica e ridicularização que visa envergonhar alguém por suas características corporais. Vamos ao efeitos positivos:

- Incentivo a reflexão sobre hábitos e mudanças para se ter saúde ou, ao menos, tentar recuperar a saúde;

- Reforço dos padrões sociais e estéticos, pois somente corpos adequados serão aceitos. Os demais deverão ser marginalizados;

- Motivação para transformações e adequação ao corpo correto.

Posso não concordar, mas terei de me calar, porque o movimento está tão forte, que tenho medo.

É isso! Fica para sua reflexão!

23/05/2023

#12 - Os Últimos Czares - Uma breve história não contada dos Romanovs, Paulo Rezzutti

 Uma louca pelo conto de fadas da Fox (bem antes de ser comprada pela Disney), "Anastasia", durante anos, procurou fontes para saber mais sobre a grã-duquesa. Sim, descobriu a verdade nesse caminho, mas a fantasia sempre povoou seus sonhos. (A primeira animação da Fox)

Eu sempre fui apaixonada por História, suas fofocas, suas lendas, seus contos de fadas com finais trágicos.

Bienal do Livro 2022: fiz a festa comprando um montão de livros, mas eu já tinha ganhado esse sobre a família Romanov.

Claro que quando vi que o autor, Paulo Rezzutti, estaria lá autografando levei meu "D. Leopoldina" e "Os Últimos Czares" para serem autografados.

É uma leitura muito boa e que nos leva a nos aprofundar em aspectos da História Russa. Minha cabeça maluca viu paralelos entre ficção (filme, desenho e musical), mas elucidou muitas questões obscuras.

Um livro que não depende de entrevistas com velhos bêbados no leito de morte contando o que fizeram com a família imperial russa.

A história de amor entre Nicky e Alix é outra paixão minha.

Uma família forjada entre ódio, amor, fé, sangue, morte, sofrimento, alegrias.

O luxo nos palácios e o povo na miséria. As dicotomias de uma gestão falida do Czar Nicolau II. O que realmente não estudamos na escola.

Eu me lembro que era tão viciada (continuo) na história da Anastasia, que fui perguntar para a professora de História e ela mandou chamar meus pais na escola. Se ela soubesse que isso me levou a procurar fontes confiáveis de estudo, acho que ficaria feliz.

Ver os dois lados da Revolução Russa e de todos os envolvidos é importante. Na escola só tínhamos uma pincelada e isso não satisfez a minha curiosidade.

As conexões das famílias europeias também são uma atração a parte. Todo mundo é primo na Europa! Fazer essas conexões e ver os casamentos consanguíneos nos levam a refletir sobre a manutenção do poder e o motivo de tantas doenças disseminadas (e que levam as crianças a não vingarem).

Como sempre, Paulo Rezzutti nos convida a uma reflexão sobre a História, suas faces, consequências, legado e ensinamentos. Contradições e a transformação dos tempos ecoam até a atualidade, por isso, é uma leitura obrigatória se quisermos entender como chegamos às consequências enfrentadas hoje.

O livro também conta com um lindo caderno de fotos e algumas recolorizadas. 

Com capítulos curtos e texto envolvente, eu bebi cada palavra do livro (e também dialoguei com o livro, em voz alta - sim, meu núcleo familiar sabe que sou louca).

"Os Últimos Czares" é o primeiro volume da nova série do autor - "Uma breve história não contada".

Vale muito a leitura!!!

Para saber mais: https://www.leyabrasil.com.br/livros/os-ultimos-czares-uma-breve-historia-nao-contada-dos-romanovs/







20/05/2023

Crônica da semana: Fantasma no escritório participando do momento fofoca

 Era uma bela tarde de trabalho. Em um momento de troca de informação com colegas de outros setores, vi uma cadeira se mover como se alguém tivesse se levantando. 

Nada falei e continuei plena participando da reunião, quando meu amiguinho me interpelou: "Você viu a cadeira se mexer?" Respondi que sim.

A outra colega respondeu que não viu.

Deduzimos que era um dos fantasmas do prédio ouvindo a fofoca. Não sabemos se chegando ou saindo, mas estava presente conosco. 

Juro que não era nenhum funcionário fantasma!

Essa é mais uma história da série de manifestações no nosso prédio. Por isso, dou bom dia pra sala vazia quando chego no escritório, além de cumprimentar o pessoal que assombra o Theatro Municipal e o Anhangá, a entidade vizinha.

Histórias que coletamos e contamos aos visitantes que participam da visita mediada ao Edifício Ermírio de Moraes.

07/04/2023

Crônica da Sexta-feira Santa

 Sexta-feira Santa: dia de jejum, de silêncio, de penitência.

Participei da celebração do Ofício da Paixão do Senhor hoje à tarde, mas não da forma como deveria.

Estava sentada em um banco da Paróquia, entre pessoas amigas, quando uma mulher chegou, fazendo uma senhora, com problemas nas pernas levantar para que a madame se sentasse. Logo, reclamou que não caberia ali, porque o espaço não dava, porque estava apertado por ter uma gorda no banco. Eu me levantei e disse que ela enviasse o banco onde ela bem entendesse. A mulher sentou feliz por ter me tirado do banco e, depois, ficou reclamando que tinha problema no joelho. 

Resultado: fique 01h30 em pé e meus incharam muito. E a madame ficou sentada feliz.

Cometi vários pecados: fiquei com raiva daquela pessoa e recebi a comunhão, além de outros que não cabem aqui. 

Sim, eu estava errada, mas não me acostumo em ser discriminada por uma pessoa gordofóbica. Ainda mais dentro da igreja. 

Como choro por tudo, abri a boca a chorar. Uma senhora, ativista da vida animal, veio me consolar e falou sobre a luz e a escuridão. E me falou a mesma coisa que uma querida Mãe de Santo: "Você tem uma luz que ilumina o lugar". Fiquei muito emocionada!

Em seguida, uma senhora com quem rompi por política, veio me abraçar. Fiquei assustada, mas entendi a mensagem.

Que experiência! Gratidão pelo aprendizado!

04/01/2023

Fanfic "Arquivo X": O curso da vida

 

Disclaimer: Não são meus e não estou ganhando nada com essa história. Pertencem a 20 th Century Fox, a Chris Carter, a 1013.

Sinopse: Melissa Scully faz um novo curso: doula do fim da vida ou doula da morte. Decide contar para alguém e escolhe Mulder. Isso causará ciúmes em sua irmã, Dana Scully, mas também unirá os três amigos.

Nota: Antes de escrever esta fanfiction, eu resolvi fazer uma pesquisa sobre o que é ser uma doula da morte. Publiquei em todos os lugares possíveis e imagináveis. A reação das pessoas foi bombástica. Recebi mensagens do tipo "Está tudo bem?", "Aconteceu alguma coisa?". Achei estranho e respondi. Até que pensei direito e cheguei à conclusão de que tinha feito bobagem. Então, expliquei que era pesquisa para uma fanfiction. Queria apenas fontes confiáveis e superficiais para ter uma base para desenvolver a ideia, a fim de escrever algo muito fora de esquadro. Porém, eu causei um pequeno rebuliço nas redes.

Timeline: Por volta da 2ª temporada, após o retorno de Scully da abdução.

Data de início: 04/08/2022

Data de término: 30/08/2022

Classificação etária: 16 anos

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Fox Mulder estava arrumando a mesa, ajeitando os papéis e disfarçando a bagunça de seu apartamento em uma tarde ensolarada de sábado. Sua parceira, Dana Scully, viria para terminarem os relatórios dos dois últimos casos.

Ouviu uma batida decidida na porta. Pensou que fosse a parceira. Então, falou:

- Entre. Não precisa de cerimônia.

A porta se abriu e a voz não era a de Scully:

- Mulder? Desculpe. Não sabia que estava esperando alguém.

Mulder virou-se e viu Melissa Scully na entrada do apartamento.

- Melissa: Ah… Oi. Entre.

- Se não for uma boa hora…

- Não, não. Eu achei que fosse sua irmã. Entre, por favor. – Mulder foi até a moça – Entre.

Melissa entrou, olhou o homem fechar a porta e falou:

- Preciso falar com alguém que não me ache maluca.

- Sente-se. – Mulder apontou a poltrona e sentou no sofá – O que houve?

Melissa sentou e respirou fundo. Tomou fôlego e disparou:

- Eu fiz um curso de doula da morte.

Mulder olhou-a meio incrédulo.

- Não acho você doida, mas…

- Você não acredita nos métodos.

- Não é isso. Não entendi o. Ah…

- Eu vim te ver, porque é o único com quem posso falar sobre isso.

- Desculpe, Melissa. E o que achou?

- Mulder, eu fiz isso, porque eu quero ajudar mais pessoas a ter um final de vida mais digno e confortável.

- Isso é louvável, Melissa. É muito bonito. Se precisar de ajuda, pode me falar. Meu diploma de Psicologia ainda deve valer. – Mulder falou, demonstrando que o choque inicial fora superado.

- Eu só não sei por onde começar.

- Você já começou. Seja voluntária em algum hospital. Ofereça ajuda.

- Você acha que eu ajudei minha irmã a voltar do coma?

- Melissa, por mais que eu estivesse fora de mim, eu acho que você ajudou muito. Mas são coisas diferentes.

- Eu sei.

- Saiba que, se precisar, é só me chamar. Posso te ajudar sempre.

- Eu queria estudar mais sobre…

Nesse momento, a porta se abriu.

- Mulder, eu trouxe os arquivos e comidinhas para nós. – Scully entrou no apartamento e viu a irmã na sala – Melissa? O que está fazendo aqui?

- Deixe-me te ajudar. – Mulder aproximou-se de Scully – Vou levar tudo para a sala.

- Melissa, pode me explicar o que faz aqui? – Dana caminhou para a sala, após entregar os sacos para Mulder.

- Dana, vim visitar o Mulder. – Melissa ficou em pé – Já que vocês vão trabalhar, eu já vou indo.

Scully só olhou a irmã saindo da sala. Melissa aproximou-se de Mulder, que estava próximo a porta, e beijou-o no rosto.

- Melissa, sabe como me encontrar. Depois, se eu puder ajudar, estudamos juntos.

- Obrigada, Mulder. Tchau. – Melissa foi embora.

Mulder fechou a porta e encarou a parceira.

- Vai me responder o que minha irmã fazia aqui? – Scully disparou.

- A Melissa veio conversar, Scully. – Mulder permaneceu parado no lugar.

- Não sabia que eram amigos.

- Não exatamente. – Mulder ousou caminhar até a parceira – Vamos sentar e conversar.

- Eu vim para perder meu sábado trabalhando. – Scully esbravejou.

- Scully, eu não posso te contar sobre o que conversamos. Sua irmã que tem de te contar.

- É um segredinho de vocês?

- Scully, é um assunto da sua irmã. Eu só acho que ela deve contar para você. Só isso. Não cabe a mim. – Mulder suspirou e sentou no sofá – Já que vai perder o sábado presa comigo, por que não vai dar uma volta, encontrar alguém ou fazer algo melhor do que ficar aqui?

- E você vai trabalhar? – Scully rosnou.

- Sei que é uma coisa inédita, mas vou sim. – Mulder brincou tentando amenizar a situação.

- Não tenho muita opção… – Scully sentou no sofá ao lado de Mulder e começou a trabalhar.

Mais tarde, Scully deitou a cabeça no encosto do sofá. Uma dor de cabeça estava instalada.

- Você está bem? – Mulder percebeu.

- Eu estou bem.

- Tudo bem. Quer fazer uma pausa e descansar um pouco?

- Não. Temos que terminar, pelo menos, esse arquivo.

- Eu estou com fome. Vou fazer uma pausa. – Mulder tentou.

- Faça o que quiser.

- Scully, vou comer e quero tua companhia. Você está cansada e…

- Chega! Eu não aguento mais. Vou embora. – ela respondeu ríspida – Chama a Melissa para te fazer companhia.

- Scully… Tudo bem. – Mulder respirou fundo – Quer que eu te leve?

Scully não respondeu e chispou para fora do apartamento.

XxX

No dia seguinte, Margareth Scully sentiu uma certa animosidade entre as filhas.

- Posso saber qual o problema das duas? – a mãe perguntou enquanto fazia tricô – Vocês mal se falaram durante o almoço e o silêncio dessa sala é aterrador.

- Estou cansada, mãe. Trabalhei ontem e amanhã tem mais. – Dana respondeu.

- Missy, você passou dias viajando e não deu notícias. – Maggie falou – Participou de algum retiro espiritual?

- Fiz um curso, mãe. – Melissa respondeu.

- E que curso, hein? – Dana ironizou.

- Por que não me conta sobre o curso, Missy? – Maggie parou de tricotar.

- Porque a senhora vai achar loucura e inútil.

- Não, minha filha. Eu aprendi muitas coisas nessa vida. Seu curso anterior, de aromaterapia, foi importante. Você sabe que ode nos contar tudo.

- É. Que curso foi esse que você foi correndo contar para meu parceiro? – Dana alfinetou.

- Fiz um curso de doula da morte. – Melissa respondeu e suspirou.

- Você vai matar as pessoas? – Maggie espantou-se.

- Não, mamãe. Vou levar consolo, conforto e dignidade para pacientes terminais. Enquanto a equipe de saúde oferece cuidados paliativos, a doula oferece apoio emocional e espiritual à pessoa e à família. Ninguém deve morrer sozinho. – Melissa explicou calmamente – Mãe, eu vou ajudar pessoas. Não vou matá-las.

- Entendi. Isso é bom, não é? – Maggie falou consternada.

- E o que o Mulder tem a ver com isso? – Dana votou a perguntar a irmã – Responda, Missy. Por que foi procurar o Mulder?

- O Mulder é o único que poderia entender a minha motivação e com quem eu me senti à vontade para conversar sobre o assunto. – Melissa falou olhando a irmã com carinho, mas viu que Dana se apressou em sair da sala – Ela quis saber e foi embora.

- Vou conversar com a Dana. – Maggie foi atrás da filha e encontrou-a na cozinha – O que houve, Dana?

- A Melissa.

- O que tem sua irmã? – Maggie sentou à mesa e a filha a acompanhou – Está com ciúmes?

- Ela misturou tudo. Não é possível ela ter um relacionamento com o Mulder. Ele é meu parceiro. Trabalhamos juntos.

- Dana, eles estão construindo uma amizade.

- Mãe, eu trabalho com o Mulder. A Missy é minha irmã.

- Enquanto você esteve desaparecida e no período de sua internação, o Fox esteve próximo. Eu mesma construí um relacionamento com ele. Não sei se é uma amizade ou uma estranha dependência, Dana. Sei que ele é um homem bom. Alguém de fora da família que posso contar sempre.

- Mãe, eu… Eu não sei.

- Você não tem ciúmes dele com sua mãe, né? – Maggie falou divertida – Sou viúva e o Fox é um homem muito bonito, mas…

- Mamãe! – Dana corou.

- Dana, não creio que a Missy esteja interessada romanticamente no Fox. Não precisa fica com ciúmes. Por que não vai para casa, pensa uns dias e voltar a conversar com sua irmã?

XxX

No dia seguinte, Scully chegou ao escritório antes de Mulder. Trouxe café e baguetes. Abriu espaço na mesa e ajeitou o café da manhã.

- Scully, fala que trouxe a geleia de laranja que sua mãe faz. – Mulder entrou – Bom dia, luz do sol.

- Bom dia, Mulder. – ela sorriu – Hoje, é recheio salgado, mas a geleia de mamãe é divina mesmo.

- Scully, obrigado por trazer o café hoje.

- Mulder, podemos conversar?

- Ih… O que fiz? Devo ter te feito algo grave. No sábado, você estava chateada comigo. – Mulder sentou na mesa e ficou de frente para Scully – Pode falar.

- Eu fiz mau juízo de você e de minha irmã. – Scully começou.

- Está tudo bem. Eu achei que vocês deveriam conversar sobre o assunto e não eu contar para você.

- Podemos comer e tomar café enquanto falamos? – Scully sugeriu.

- Claro. – Mulder foi sentar-se na cadeira dele e Scully na dela – Está muito bom esse café.

- É daquela deli brasileira perto daqui.

- Você sabe como conquistar um homem pelo estômago. – Mulder mordeu a baguete.

- Que bom que gostou. Eu gosto do café de lá, que é moído na hora.

- Scully, por acaso, você achou que eu estou envolvido com a Melissa? É isso?

- Sim. – Scully corou.

- Não se preocupe. A Melissa e eu tivemos umas discussões, mas acho que somos amigos. Tomamos um suco juntos uns dias depois da tua alta.

- Ah…

- Scully, sabe que podia ter perguntado isso antes. Não é necessário ter ciúmes. Você ficou tão nervosa comigo! Eu só percebi o que aconteceu quando você foi embora. Juntei dois e dois.

- Mulder, você me perdoa?

- Não há o que perdoar, Scully. A Melissa e eu estamos tentando construir uma amizade e ela achou que eu entenderia a história do curso melhor que você.

- Mas…

- Ela fez o curso de doula do fim da vida e veio pedir ajuda para mim. Ela contou para sua mãe?

- Sim. Mamãe não entendeu de pronto.

- Acho que você poderia ajudar sua irmã a encontrar um hospice onde ela possa ser voluntária.

- Você me ajuda?

- Claro, Scully. A Melissa me pediu para estudar alguns temas com ela. Acho que podemos estudar e discutir os três juntos.

- Com certeza. – Scully sorriu aliviada.

XxX

Os dias passaram. Era o primeiro dia de voluntariado de Melissa.

- Vocês não precisavam ter vindo comigo. – Missy falou para Scully e Mulder – Eu acho que dou conta.

- Lembre-se do que conversamos. – a irmã mais velha falou – Sei que dá conta.

- Estaremos te esperando, Melissa. – Mulder falou.

- Obrigada. – Melissa entrou no quarto da paciente que acompanharia naquele dia.

A paciente foi se apagando aos poucos. Melissa ofereceu conforto espiritual e exercícios de relaxamento. Confortou a mulher por um tempo. Ficou com a família e a paciente até que o inevitável aconteceu.

Saiu do quarto, dando privacidade ao grupo familiar. Viu Mulder e Scully conversando baixinho no corredor.

- Ela se foi. Descansou. – Melissa sentiu-se leve – Eu a confortei até o fim. Isso me dá paz.

- A paciente também está em paz. – Dana falou – Você está bem?

- Sim. – Melissa abraçou a irmã.

Mulder afastou-se um pouco das irmãs. Estava orgulhoso de vê-las bem e interagindo, sem qualquer mal-entendido.

- Hei, grandão. – Melissa separou-se da irmã – Quero um abraço. E o jantar é por tua conta.

Mulder abraçou Melissa carinhoso.

- Será um prazer jantar com duas mulheres lindas. – Mulder separou-se de Melissa e ofereceu o braço para as duas irmãs.

Os três amigos jantaram em um restaurante em Georgetown. Melissa estava em paz e contente por poder ajudar as pessoas nos momentos finais da vida. Mulder estava contente pelas irmãs terem feito as pazes e por Scully não ter mais ciúmes. Já Scully estava aliviada pela irmã ter encontrado uma atividade que gostasse e por não ter se envolvido com Mulder. E a vida seguiu seu curso.

 

Fim

31/12/2022

#19 - Macunaíma em quadrinhos, Mário de Andrade, Angelo Abu e Dan X

Eu ganhei essa versão de "Macunaíma" há algum tempo e só fui ler agora.

Li a versão original e a única coisa que tinha me marcado era a mão que "mudava" de cor.

Mas a versão em quadrinhos foi mais impactante.

Uma leitura muito cobrada nos vestibulares e que precisa ser conhecida. A versão em quadrinhos é boa para quem, como o herói, é preguiçoso. rsrsrs

Herói igual a nenhum outro. Adaptação também inigualável.

Com desenhos coloridos, os autores Angelo Abu e Dan X recriaram a saga antropofágica imaginada e escrita por Mário de Andrade. 

A história versa sobre um personagem singular, sem caráter, promíscuo, carismático e... ai, que preguiça!

Nasce indígena, transforma-se em príncipe loiro, encontra seres fantásticos, enfrenta perigos, vai à cidade grande.

É o 15º álbum da coleção Clássicos em HQ.  

Vale a leitura!

23/12/2022

Guia prático para sobreviver ao Natal quando se está de luto

 Reproduzi aqui o título da matéria, disponível em https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/vamos-falar-sobre-o-luto/2022/12/22/guia-pratico-para-sobreviver-ao-natal-quando-se-esta-em-luto.htm, para relatar o quanto é chato para uma pessoa está em luto ou passou por perdas grandes no núcleo familiar as chamadas "festas de final de ano".

É uma merda ter que desejar "Feliz Natal!" às pessoas quando você passará as supostas festas sozinha.

Neste ano, decidi que não iria dar presente para ninguém. Ganhei muitos presentes, mas o que eu queria mesmo era ter minha família de volta, ser aceita e incluída no meu trabalho e não ter as pessoas ditas "amigas" me cobrando por não morar sozinha, não dar conta de meus irmãos, não sair da casa que moro de favor, não cozinhar, não prestar para nada e assim por diante.

Decidi ainda não aderir a prática como revezamento ou confraternizações, exatamente pelo motivo de que te espinafram o ano todo e vem dar tapinha nas costas no final de ano. (E também tem o fator trabalho... ninguém quer serviço pequeno como o meu)

Também nem me esforcei para comprar as coisas que gosto: cerejas, uvas, ingredientes para farofa e para biscoitos. Nem vou me esforçar.

Ao ler a matéria, eu me vi representada ali. Amigas e amigos não desejam o tal "Feliz Natal", mas fazem uma fala de esperança e lembram do Menino Jesus, fazem uma fala religiosa. Até aí, tenho aceitado de boa.

Não será feliz, não terá folga, não será um ano diferente dos outros. Será tudo a mesma coisa.

Então, recomendo a leitura da matéria. (E não me desculparei pelo desabafo)

27/10/2022

Quando a partilha é só para alguns

 Há algum tempo, contei para vocês como a partilha deve ser para todos.

Recentemente, presenciei o que não deve ser repetido nunca mais. Uma festa só para alguns e os que não se encaixam são convidados a se retirar. E assim a pessoa indesejada por peso e compleição se retirou. Quando retornou, a mesa de trabalho havia se tornado um lixão. Ideia dos colegas que desprezam a pessoa.

Uma vergonha pessoas que ganham altos salários discriminarem e legitimarem que a pessoa é considerada um lixo com essa atitude.

Que diferença entre as partilhas!

E quando se responde a esse tipo de atitude, considera-se a pessoa que reagiu como louca. Interessante!

22/10/2022

#10 - O sequestro da Independência: uma história da construção do mito do Sete de Setembro, de Carlos Lima Jr, Lilia Moritz Schwarcz e Lúcia Klück Stumpf

 Ano de Bicentenário da Independência. Tinha que ler algo sobre a real situação do Brasil na época da efeméride e fazer as conexões com a atualidade.

O livro discute os sequestros do fato passado, suas consequências, sua instrumentalização a favor de interesses políticos a partir de imagens. É uma construção importante nos tempos sombrios que vivemos e que lutamos para reverter.

A história oficial é euroupeia, pacífica, masculina e unificadora. Cabe aos estudiosos desvelar os fatos, acontecimentos e análises. A nós cabe estudar, estudar, estudar, interpretar, fazer relações, refletir e não sair falando bobagem.

O ponto de partida de uma farta coleção imagética é o quadro de Pedro Américo, "Independência ou Morte! / Grito do Ipiranga", exposto no Museu Paulista / Museu do Ipiranga. Carlos Lima Jr., Lilia Moritz Schwarcz e Lúcia Klück Stumpf analisam a formação complexa da identidade nacional brasileira e a transformação do motivo retratado na referida obra em símbolo do rompimento com a Coroa Portuguesa e como cena verídica.

A conjuntura é analisada desde as tensões do Segundo Reinado, passando pela disputa entre Rio de Janeiro e São Paulo pela Independência, a instrumentalização do fato histórico pela ditadura militar, chegando ao atual (des)governo que tenta sequestrar e imitar D. Pedro I em diversas ocasiões.

O livro mostra os esquecimentos e silenciamentos das narrativas para a chamada Independência. É a "política de sequestros". Cada grupo sequestrando e tornando a tal Independência algo que somente existe em sua imaginação.

O convite a reflexão crítica já inicia com a imagem da capa, com uma releitura crítica do famoso quadro de Pedro Américo, feita pelo artista Daniel Lannes. Em primeiro plano, vemos uma figura em vermelho, o carreiro da obra monumental, com uma lança na mão. A emancipação é um processo coletivo e não individual. É do povo todo e não de uma figura militar, masculina e autoritária.

Um livro que dá voz para todos as personalidades e comunidades invisibilizadas e silenciadas no processo da Independência do Brasil. 

Material riquíssimo e muito atual. Estudos profundos, reais e que nos fazem refletir muito.

Leitura obrigatória!!! Vale muito a leitura!!!

27/09/2022

Relatório de Campo: Novo Museu do Ipiranga - Museu Paulista da USP


Depois de uma saga para conseguir os ingressos, meu tio e eu fomos ao Museu do Ipiranga / Museu Paulista da USP. 

A reforma, a restauração do prédio e das obras, além da higienização das obras estão muito bem feitas.

Lembro que o prédio é uma construção que data da derrocada do Segundo Reinado e início da República. Não existia quando do "grito" da Independência.

Fui com a ideia de ver a obra com a Dona Leopoldina, a Maria Quitéria, as águas dos rios e a coleção de brinquedos. Acabamos por ver mais salas do museu e foi uma experiência interessante.

Destaco a acessibilidade para os cegos e surdos. É um trabalho genial a reprodução das obras em modelos táteis e os equipamentos que trazem as explicações com áudiodescrição e Libras são muito bons.

É importante apontar que o Museu traz novas discussões e diálogos com o acervo. Os povos e grupos invisibilizados estão surgindo em meio às obras com homens brancos e europeus. Os indígenas e os negros estão presentes no cenário.

Todo mundo quer ver a cena que o Pedro Américo imaginou e pintou. Ceninha fake. Deve-se ver a explicação no equipamento em frente à obra e buscar a história do famoso quadro.

As três mulheres da Independência também estão lá: Dona Leopoldina, Maria Quitéria e Ir. Joana Angélica.

Também há uma parte do museu que explica o caminho que é feito por um objeto para ser musealizado, ou seja, sair do seu uso cotidiano, sair de sua realidade e passar a ser objeto de museu, musealia. É interativo e os públicos visitantes entendem o processo de musealização e todo o trabalho que diversos profissionais realizam. É uma valorização imensa do trabalho de muitas pessoas.

O mais legal é estar lendo o livro "O sequestro da Independência: Uma história da construção do mito do Sete de Setembro", escrito pela tríade mais maravilhosa do mundo Carlos Lima Junior, Lilia Moritz Schwarcz e Lúcia Klück Stumpf, que faz toda uma análise das imagens, e ver as obras ao vivo e a cores. (Recomendo a leitura. Assim que eu terminar de ler, volto para contar para vocês.)

Hoje, foi um dia nublado, com períodos de chuva forte. E o Museu mal foi reinaugurado e já está com goteiras e a água entra em alguns pavimentos, colocando em risco o acervo e os equipamentos tecnológicos que fazem parte das exposições.

Foi uma visita interessante!

Todas as sextas-feiras, às 10h00, no site do Museu (www.museudoipiranga.org.br) é aberto um novo lote de ingressos. Os ingressos são gratuitos até 06 de novembro de 2022. Não é fácil de conseguir o ingresso, mas vale tentar.

29/07/2022

Quando uma pesquisa para uma fanfic se torna uma celeuma

 Queridos leitores e queridas leitoras,


O causo de hoje é peculiar.

Ontem, eu soltei uma pergunta no status do Whats App sobre doula da morte. Lancei a pergunta no Facebook e no Twitter. Nestes últimos, ninguém se manifestou, mas no aplicativo de mensagens... Recebi mensagens do tipo "Está tudo bem?", "Aconteceu alguma coisa?". Achei estranho e respondi. Até que pensei direito e cheguei a conclusão de que tinha feito bobagem.

Então, expliquei que era pesquisa para uma fanfiction. Não quero escrever coisas erradas e queria apenas fontes confiáveis e superficiais para ter uma base para desenvolver a ideia. Porém, eu causei um pequeno rebuliço no Whats.

A ideia continua de pé. Tenho a cena na cabeça. Tenho dois universos em mente e uma personagem com o perfil da doula da morte. Só que a forma que utilizei para pedir dicas foi muito estranha.

Contei isso para minha amiga-irmã-professora e ficamos uns bons minutos rindo da situação.

É, minha gente! Sou estranha, mas não quero escrever bobagens nas minhas fanfics.

Por isso, peço a vocês: quem tiver boas fontes sobre o tema, me escreve nos comentários ou me envia por e-mail.

Aguardem as fanfics novas!!!